Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Cartas IV

Outono de 2009
Minhas pálpebras começam a anoitecer. Já é tarde. A quarta-feira já chegou. Gosto de te escrever nessa sonolência que me leva a um estado de adesão às confissões. O sono nos torna puros como as crianças. Mas nem eu nem você podemos nos dar ao luxo de nos considerarmos puros. E nossa infância esconde-se agora no crepúsculo dos nossos dias. Não pretendo me desculpar pela demora em te escrever. Você demorou muito mais em outras ocasiões. E demora, Tibério, quase sempre é prenúncio de esvaziamento, indiferença, desistência. E não foi isso que você me fez passar e sentir inúmeras vezes, Tibério?

Ainda está fumando cachimbo? Ainda senta-se diante da taça de vinho e da mesa da escrivaninha como quem reverencia a própria existência? Deus, quantas vezes fiquei eu a te esperar em silêncio do outro lado do corredor. Quantas vezes não sacralizei aquele momento que era só seu e do vinho e seus livros e escrivaninha e deitei-me encolhida debaixo dos lençóis tentando me lembrar como se fazia uma prece. Tentando distrair o frio que assola os ossos na escuridão da tortura. Porque o pior tipo de tortura, Tibério, é aquele que silencia. Que não traz respostas. Que demora a nos mostrar a face de Hades.

Na última carta que você me enviou pensei ter lido a palavra arrependimento? Você sequer fez uso dos seus conhecidos emissários cifrados: termos científicos, alusões à psicanálise e navalhas de cinismo cortando minha carne. Foi direto, claro, certeiro. Perdão, Martina!Como nunca esperara. “Demasiado tarde”, pois não. Lembra disso, Tibério? Você me emprestou o livro Ana Terra. Eu tinha 17. Havia essa frase lá. E ainda nem sonhávamos que um dia caminharíamos juntos pelas terras férteis da paixão e da loucura. Estrada que se encerrou em deserto.

Durante tantos anos, minha vida fora pura energia e você o fio condutor. Literalmente a vida por um fio. Agora, estamos velhos Tibério. Nossos corpos represam temperança porque já não conseguem sustentar arrebatamentos. Mas minhas lembranças permanecem intactas. E esse é o meu fardo. Jamais esquecer. Isso a velhice não me presenteou: a miséria da carne se intimidando diante da vastidão da memória. Antes pudesse esquecer. Talvez viesse o perdão. Mas se ainda me lembrasse ou me importasse com preces, saberia que a consumição do perdão só acontece na inocência.

Hoje não dormirei com pílulas. Tampouco me importarei se não dormirei. Minhas pálpebras pesam pelas lembranças. Agora posso confessar. Faz anos que não sei o que é dormir. Talvez a última vez em que dormi realmente fora naquela noite depois que você me trouxe do hospital. No seu costumeiro silêncio, regado a jazz e cheiro de cachimbo. Eu não chorei, você lembra? Naquela noite eu não queria despertar nem mesmo dos pesadelos. Era como se eles me fossem mais familiares que nossos muitos anos de casamento regado a distância e cheiro de chuva.

Tibério, moram em mim certas visões e vozes que eu não consigo apagar. Tenho mais abismos que flores. “Mãos mágicas”. “Sereia dos beija-flores”. Você me chamava assim, referindo-se à minha destreza em cultivar plantas e borboletas no jardim. E eu acreditava. Agora, às vezes, no afã de encontrar conforto em alguns segundos de lucidez, de despertar da angústia dos conflitos, imagino que fomos num só o encontro e o desencontro. O desejo e o deserto. A culpa e a redenção. A libertação e a descoberta do escuro.

Tibério não podia ter sido diferente?
Faço isso não por nostalgia. Mas por vingança mesmo. Esse tipo de pergunta você jamais esteve pronto para responder não é? Quero desesperadamente conhecer Deus. Depois de velha quero o inatingível.Rita já me deu a resposta. Ela disse que eu não sou vazia. Nosso filho é que nasceu para dentro.

Cartas III

Cara Zanze,

Ainda é terça-feira aqui. Aí também. Mas deve estar mais frio. Gosto do frio. Fico cheia de paciência no frio. Estava pensando no quanto você me faz falta. Enquanto ficou fora por 12 anos era mais fácil lidar. Depois, a sua volta, os apenas dois meses e de novo sua partida me pegaram de sobressalto. Entre nós não há espaço para queixas. Não me tome como uma amiga queixosa ou lamuriosa. Para ser sincera entendo mais sua partida que sua chegada ulterior. Mas, eu queria ter chorado na nossa despedida. Guardei o choro como quem guarda relíquia dentro das páginas dos livros. De vez em quando revisito sua ausência e choro algumas lágrimas. Não se preocupe, elas são tão discretas quanto você..

Mas vamos enfim deixar nossa despedida para trás e partir para o que está diante dos meus olhos agora: uma pilha de livros se amontoam em um dos lados da cama; meus tênis ainda estão molhados da chuva de ontem e descansam no pé da parede e comprei um guarda-chuva primaveril que divide espaço com os outros mil objetos espalhados. É outro guarda-chuva, sim, foi isso mesmo que você leu. Perdi o outro. Nunca pretendi fazer coleção de coisa alguma. Afora os cartões postais, os espirros e alguns livros, nunca pretendi colecionar guarda-chuvas. Não ria!


Na próxima carta não seja tão econômica nos detalhes. Preciso saber mais sobre sua nova morada. A quantos metros do chão? Se tem varanda. Se você vai querer mesmo a receita daquela torta e quando vai me mandar cartões postais. Está bem está bem está bem se não tem muito tempo para mim. Só não suma por meses a fio. Você sabe que minha saudade não é pétrea. Pelo contrário é solar e folhetinesca.

Sinto falta do nosso entendimento sem palavras. Já passamos daquela fase livresca e palavrosa de descrever em mil e um detalhes o que nos aflige para que encontremos correspondência no olhar. Obrigada. Acho que preciso agradecer não é? Embora não veja nossa amizade como uma dádiva e sim como um espiral de tolerância e respeito. Sinto falta do nosso olhar acolhedor uma para a outra. Mas estou feliz porque partiu. Só lamento que as meninas não tenham conhecido o mar.
Diga a Sophia, a Yasmim e a Jade que eu as amo, com quase amor de mãe.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Cartas II

Arturo, saudades.

As cortinas de nuvem cobrem o céu úmido. Parece que o inverno chegou. Os móveis suam. As plantas ficam sonolentas. Crescem musgos por trás dos porta-retratos. E você nunca me mandou qualquer fotografia da sua nova paisagem. Às vezes sinto medo de esquecer como são teus olhos. E acho que está ficando turva a memória das linhas de tuas mãos. Gostava tanto de passear os dedos sobre elas. Um sulco convidativo ao toque. Caminhos que eu nunca me cansava de percorrer, muito embora jamais soubesse para onde eles me levariam. Se eram pontos de partida ou de chegada.

Já disse em outras cartas, inúmeras, que não temos mais a algazarra dos peros? Sim, claro que já disse. Saudades, Arturo. Eles se foram logo após sua partida. Como se prenunciassem meu desejo de ficar sozinha. De cultivar musgos junto com as velhas fotografias. Lembro da alegria febril e avermelhada dos dois contrastando com nosso silêncio. Com nossos cafés-da-manhã regados a um café tisnado e meio amargo, dois ou três nacos de pão. Meia-dúzia de palavras, disfarçando a selvageria do desejo de silenciar e assistir a obscenidade azul daquele céu dezembrino.

Às vezes - em pensamento - ainda respiro aquele ar impregnado de sal, roubado do mar à nossa frente. E ainda me pego tentando adivinhar o que os seus dedos me sussurravam ao tamborilar a mesa da cozinha. Não havia uma única linha no rosto que denotasse impaciência. Mas a mão espalmada que passeava pelos cabelos me diziam que a hora estava por chegar.

Nos mesmos rastros do silêncio que nos conduzia ao café, seguíamos pelo corredor até chegar no quarto, já envolvido pela vertigem dos nossos desejos. Como se suas paredes conhecessem o ritual e guardassem nas manchas e nos pedaços arrancados a prova da nossa refrega. Peleja que traria o indulto de paz. Mesmo que para ambos soasse tão distinto. Eu queria o olhar imponderável. Você, libertar a fera. Para mim, era muito mais gracioso e erótico quando me penetravas com teu olhar, Arturo. Mas você queria se esculpir em mim com costelas e sêmem. Esquecia completamente do barro. Da argamassa que nos unira no início. Passados alguns anos daquele ritual, parei minhas apostas. Você se voltou para suas arqueologias. Eu cruzei palavras, bordei sentidos, costurei versos e esfriei a dor como quem abana uma queimadura de verão, enquanto soprava verdades em teus ouvidos.

Saudades, Arturo. Saudades agora sem culpa. Saudades alicerçadas na verdade que só aparece depois que se esquece a barbárie. Saudade que não sente falta de civilidade. Saudade que sequer sente falta. Nem do que passou, nem do que virá. Saudade sem emissão de dor. Saudade metafísica.

Arturo, jamais voltarei a te amar. Quero apenas a tua distância.

PS.: só está faltando a fotografia, mande-a na próxima carta. Para que, enfim, ela descanse por entre os musgos.

Sempre saudades, Arturo, S.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Cartas

Minha cara Alice,

Finalmente reservo uma fatia do meu tempo para responder sua carta. Não será grande, admito. Mas prometo que vou me esforçar para que suas mãos sejam agarradas pelas lembranças do gosto levemente ácido e açucarado daquele bolo de laranja que você tanto gostava quando criança e pedia sempre para repetir e repetir e eu ía diminuindo cada vez mais a espessura das fatias, até ficarem tão finas que se esfarelavam no caminho entre os dedos e a boca.

Porra. Porra. Porra. Foi o que você cadenciou para mim, referindo-se a si mesma. Senão por completo, ao menos a uma parte de você que não está sabendo lidar com o que se descortina diante dos olhos. De cá penso que seus olhos ainda estão vendados. Mas sua alma, minha sempre menina, é que toma ares. Abre as janelas. Respira o ar que passa além daqueles que entram nos seus pulmões.

Alice, as escolhas não são definitivas, meu bem. Elas são, geralmente, um ponto de partida. o que você vai fazer depois delas é que darão o teor, o valor e o peso das coisas, dos outros e de você mesma. Mas, principalmente, isso não se teoriza, se sente e se vive, e você sabe muito bem. E sabe também que assim como você, eu não suporto muito frases prontas; os períodos copiados das enciclopédias e as páginas encharcadas de tédio e repetição. Sorry dear. Talvez não tenha muito a dizer. Você deve estar rindo agora. Quase triunfante. Pensando que estou balançando as mãos efusivamente enquanto falo essas coisas, quase bradando e com o cenho aparentemente severo. E repetindo, mais uma vez que, por mil olhos de gatos, prefiro muitas vezes pedras soltas a palavras vãs.

Pois bem, você se enganou dessa vez. E se enganou novamente se acreditar que me distraio de você. Muito embora ache que seu sonho é deveras incauto. Não a condeno por isso. Ao menos ele não está morto. Você não deve ter entendido. Isso é o que eu chamaria de uma piadinha coeva e infame.

Querida preciso ir agora me acorrentar a outros afazeres. Ou quem sabe me permitir a momentos de contemplação do inverno esquizóide dessa cidade. Mas antes queria lhe dizer que talvez fosse interessante que ao invés de querer adentrar pela porta da frente, você procure os porões das respostas. Livre-se também desse arsenal mercadológico que impõe uma máscara bifronte de carnaval na cara das pessoas, impedindo que elas respirem realidade, não se vanglorie dos clichês que determinam o que é felicidade e, outra coisa, se os dias passarem vagarosos, lembre-se que não é você que tem controle sobre o tempo. Definitivamente. Afora isso, nada mais é definitivo.

Não leia minha carta com os olhos sobre linhas cartesianas porque elas sequer existem para mim. Deixei-as na 8a série. Leia com o vagar e o distanciamento de quem já aprendeu a amar ao outro com a certeza de que o outro não é o que você quer que ele seja. Vou terminar com uma citação daquele nosso escritor preferido e que sempre lemos em voz alta quando estamos perto uma da outra. “Não há encanto em manipular conceitos, deixando o coração deserto”.

Com amor, S.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Poeminhas Ordinários

Ainda na sessão nostalgia, pesquei esses poeminhas ordinários mais uma vez! Sim, porque eu tenho uma "lêve" impressão de que já o fiz antes... Vá lá, vou postar novamente. E o jeito? Se estou dada a silêncios, né Moacy?

Incertezas
Se penso que sei
Logo me calo
Porque me enganei


Ménage
Um mais um às vezes é bom
Ou eu
Ou ela
Ou nenhum de nós dois
Um mais um às vezes é três.


O mar
Quando ele abriu os braços
Imenso e azul
Qual Netuno
Ela pensou em fugir
Mas sucumbiu


Deadly
Amor
Não é bem
Maior que tudo
Posto que cabe
Na palma da mão
No silêncio
No corpo
Na saliva
Na corda bamba
Na escuridão


Aparências
Os jarros estavam repletos
De flores.
Rubras, vibrantes.
O cheiro comovia.
Estavam mortas


Publicados originalmente em setembro de 2007, no Entremundos

Há quase três anos...

... escrevi esse texto no extinto "Entremundos". De repente me pareceu tão atual. Decidi postar aqui no Bicho. Talvez por pura nostalgia, não sei.

Nada sobre coisa alguma

Da janela da minha alma vem uma melodia que não consigo divisar as notas. (Mas eu sei que ela está lá). E é um pouco de mim. Talvez um pedaço bem grande. Depois que o menino que soltava pipas, tocava flauta doce e era exímio jogador de peladas cresceu, agora ele vive olhando sobre as frestas das persianas enquanto visto minhas asas. Às vezes eu penso que a melodia pode vir de um pedaço dele. Talvez um pedaço bem grande. Talvez um pedaço de mim.

Certa vez, perguntei à minha avó se podia caminhar por entre as folhas secas que choviam em cima da minha cama (adorava a melodia delas sucumbindo aos meus pés de Golias). E ela, num tom de reprovação disse que aquilo não eram folhas. Eram cascas das velhas arvores genealógicas da família. “Agora vá dormir, que amanhã é dia de branco”.
Brancos eram os olhos do defunto, que morrera sem dar descanso às pálpebras injetadas de solidão. Amarelas as rosas que tentavam disfarçar o cheiro de morte espalhado pelas pessoas, cadeiras, cortinas e telhas da casa. Lilases as flores de plástico das coroas que reinam no cemitério. Negros eram os olhos da rasga-mortalha que piou na noite anterior, bem debaixo daquela casa.


A casa ruiu certo dia. Sobrou só a janela e essa estranha melodia. Que insiste em me fazer em pedaços. Pedi ao menino que me ajudasse a me arrumar e ele disse que não podia. Não tinha mais o barbante da pipa. A flauta doce quebrara. E seus joelhos apodreceram.

Naquela época -
Quincas comentou:
Provisoriamente vestido de metáforas, o homem é um animal que re/cita: "Inscrita nas tuas forças uma noite desleal cresce"


Carito comentou:
Belíssimo texto! Tudo sobre tanta coisa..


* Publicado em Entremundos no dia 27 de junho de 2006, às 18h27.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

No meio do Caminho

Sempre quis ser mais velha do que era. O auge foi quando completei 28 e sonhava já em chegar aos 30. A maturidade sempre teve um lado que me fascina. Talvez seja a falta de pressa, a ausência de soberba sobre o que já se sabe ou o olhar sereno sobre as coisas do mundo. Um filósofo francês – que não lembro agora o nome, sorry – disse que a velhice era incrível, o que tornava o homem “miserável” nessa fase eram as enfermidades. Concordo com ele. Se olharmos para alguém mais velho, e tirarmos as artrites, doenças sistêmicas, catarata, osteoporose, cardiopatias e outras mazelas, habita ali um ser pleno de natureza humana. Dito isso, acho que já é hora de reproduzir uma das frases que mais me chamaram a atenção. É do Otto Lara Resende, em sua crônica “Bom dia para nascer”, publicada em maio de 1991: “Mas juventude tem cura. Eu também já fui jovem. É só esperar”.

Talvez eu esteja no meio do caminho. E isso para mim já é muito bom. Mas eu quero mais. Ops! Olha aí a pressa, a ansiedade, “a vontade de” se confundindo com “o desejo de”. Mas tem cura, né? Enquanto isso, vou bebendo de outras fontes. A minha mãe é a primeira da fila. Seu olhar já me diz tanto que às vezes até preciso desviar. Na quinta-feira passada, tive a honra de ouvir numa palestra o professor Manoel Carlos Chaparro. Ele é jornalista desde 1957. Professor da Escola de Comunicação e Arte da USP e Doutor em Ciências da Comunicação. Ganhou quatro Prêmios Esso, dos quais três foram quando escrevia no jornal A Ordem, no início dos anos 1960, quando foi convidado pelo então arcebispo de Natal, dom Eugênio Sales.

Tranqüilo. Seguro. Loquaz. Só para citar algumas características do meu interlocutor. Uma de suas primeiras afirmações fora a de que nós, jornalistas, nunca fomos o centro do mundo, nem nunca seremos. Bingo! Sempre achei isso, mas é bom ouvir de alguém infinitamente mais sábio e vivido que você. Somos apenas narradores, observadores do cotidiano. Falamos sobre o que ocorre com os outros. Logo, dependemos desse outro. A palestra era bem específica e não dá para falar sobre os conceitos aqui sem correr o risco de ficar enfadonha, o que seria de uma grande injustiça com o professor Chaparro já que ele comandou durante mais de uma hora uma platéia atenta e grata pelas suas investidas certeiras nos conceitos jornalísticos, no trabalho e na vida. Tive vontade de dizer a ele, mas a juventude ainda me intimida: - Obrigada, professor, hoje aprendi que é possível ser velho e sábio em apenas uma hora e alguns minutos. E lhe devo isso.

Portanto, mesmo que eu não chegue lá na casa dos 80, fique num meio termo. A cada dia, em cada movimento do mais delicado lufar de velhice que se for apropriando dos meus poros, ficarei viva, grata e atenta.

*

DESCULPAS
Na quinta-feira passada no texto “A biblioteca dos meus sonhos”, no qual falei sobre a Biblioteca Pública Câmara Cascudo, deixei a promessa de que daria continuidade ao assunto. E não o fiz ontem. Portanto, o título dessa notinha só poderia ser esse. E repito, desculpas sinceras ao leitor que, por ventura, esperou.

A BIBLIOTECA
O que faltou dizer é que a obra que já deve estar em andamento nesse final de semana não vai impedir, inicialmente, a presença dos usuários naquela Casa do Saber. Porém, a reforma que vai reparar infiltrações na laje, nas vigas frontais e danos na instalação elétrica não vai resolver todos os problemas. O diretor, Márcio Rodrigues, quer sensibilizar deputados, autoridades e a sociedade em geral para que seja trocado também o piso da Biblioteca Câmara Cascudo. Visivelmente esburacado e indigno.

MAIS
Faltou dizer também que a Biblioteca Câmara Cascudo faz registro de obras e é responsável por orientar toda e qualquer biblioteca pública que seja criada nos 166 municípios do Estado. E com apenas cinco bibliotecários para dar conta do recado, é absolutamente impossível. O diretor, Márcio Rodrigues, me disse que o Ministério da Cultura tem um projeto chamado Livro Aberto, no qual oferece desde os exemplares, passando por mobiliário e equipamentos eletrônicos para que as prefeituras criem suas bibliotecas públicas. O projeto é lindo, ninguém duvida. Porém, sem um bibliotecário para tomar conta, a biblioteca até pode ser montada, mas funcionar, aí já são outros 500.Vai um apelo: prefeitos, não basta montar uma salinha com livros nas prateleiras, contratem bibliotecários. Ainda não acabou: Governo do Estado, realizem concurso público para bibliotecários. Os que existem na mais importante biblioteca pública do Estado tentam, mas não conseguem dar conta de tantas demandas.

PS.: A crônica e algumas notinhas foram publicadas no JH 1a. Edição do sábado passado, 23 de maio. Coloquei algumas notinhas também porque elas dão continuidade e encerram o assunto da crônica "A biblioteca dos meus sonhos", que também foi para o jornal e que eu postei aqui há alguns dias. Cheiro Moacy! Cheiro a todos, aliás. Obrigada por estarem sempre aqui, me fazendo companhia.